(Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

É sempre bom começar um pós-jogo, com outra atuação fraca do Fluminense, dizendo que ninguém aqui está pedindo a demissão do treinador.

Dito isso, vamos falar desse empate, injusto pro Vasco, que terminou o jogo com mais posse de bola, mais finalizações e mais chances reais criadas do que o Fluminense.

E terminar o jogo com essa desvantagem para um time que acabou de ir para a segunda divisão deve ligar um sinal de alerta.

O Fluminense começou o jogo um pouco melhor. Logo aos 3 minutos, uma bola longa do Marcos Felipe acha Luiz Henrique que ganha do Zeca e fica de frente pra área. O menino resolve chutar de longe, lance que se repetiu numa roubada de bola no campo ofensivo e que um passe acabaria encontrando Calegari sozinho. Outro chute longe do gol.

Tomada de decisão. Foram muitas erradas. De nada adianta no futebol ser dotado de todos os quesitos técnicos se sua escolha sempre é equivocada.

No primeiro tempo nada aconteceu. O Fluminense terminou sem nenhuma jogada criada e sem chance de gol.

E isso tem uma explicação:

Roger optou pela saída apoiada com o Martinelli dentro da área indo buscar lá atrás essa bola.

Não é fácil sair jogando com um goleiro que não sabe fazer isso, com Frazan, com laterais que não participam desse processo e com jogadores de lado, especialmente Lucca, que não são capazes de fazer às vezes de meia.

Sacrificou demais o Martinelli fazendo ele começar a jogada de dentro da área. Com Martinelli descendo tanto, Nenê foi obrigado a recuar também pra buscar jogo. Resultado: Fred isolado.

O Vasco, diferente do Flu, conseguiu criar apenas uma jogada. De novo, pelo lado esquerdo do Fluminense (alerta feito na postagem passada), uma infiltração nas costas do Yago, a falta de leitura do Frazan pra fazer essa cobertura e saco.

1 a 0. Intervalo.

Sai Lucca e entra Gabriel Teixeira. Em tese, boa mexida e isso se revelou na prática.

Roger fez outras mudanças. Abandonou a saída apoiada e optou pela bola longa pra buscar segunda bola, centralizou mais os jogadores de lado, soltou Martinelli e colocou Nenê mais próximo de Fred e do gol do Vasco.

O Flu fez 25 minutos superiores ao Vasco.

Empatou, de novo numa bola parada (disparada a melhor arma ofensiva do Fluminense), perdeu um gol com Fred (reparem que nessa altura Nenê já estava bem mais próximo da área adversária) em mais uma bola roubada no campo ofensivo, Gabriel buscou uma bola por dentro, abriu na esquerda, recebeu por dentro e chutou raspando.

Nenê erra um passe que deixaria Gabriel na cara do gol, Luiz Henrique erra um passe que deixaria Nenê na cara do gol. O jogo estava bom pro Fluminense e até aqui o Vasco não criava nada.

Aos 24, Kayke entra no lugar do Luiz Henrique.

E joga de ponta. Não entra mal, consegue levar vantagem em alguns lances mas jogando muito aberto, diminuiu a superioridade que o Fluminense encontrava por dentro pra fazer as associações que o deixavam perto da virada.

Aos 29, o Vasco acerta a trave numa falta e já equilibrava bem o jogo.

Aos 30, saem Nenê e Fred e entram Ganso e john Kennedy.

Com Gabriel, John Kennedy e Kayke o jogo virou uma trocação infinita.

A bola já não parava mais na frente, nem no meio. Os meninos dominavam, davam o tapa e corriam. O Flu até conseguiu outra boa chance com Gabriel lançando o Kayke, que levou vantagem mas demorou demais pra finalizar (outra tomada de decisão errada).

Mas nessa trocação o Vasco levou vantagem.

Marcos Felipe defende um chute na cara dele, passa uma falta raspando, o Vasco perde um gol quase na pequena área num chute de primeira e uma cabeçada raspando a trave decreta o fim do jogo.

O Fluminense jogou pior os dois clássicos e fez 4 pontos, não dá pra reclamar de falta de sorte.

Roger no fim do jogo falou que faltou equilíbrio.

E, não se enganem amigos, sempre que um treinador brasileiro fala que falta equilíbrio ele vai reforçar a defesa. A entrada do Wellington no fim do jogo sinaliza isso. Roger deverá barrar Lucca e entrar com Wellington.

De qualquer forma eu concordo com ele. Faltou equilíbrio, só que faltou tanto na fase defensiva (sua real preocupação), quanto na fase ofensiva.

Ou ele acha normal passar um tempo inteiro sem criar uma única chance?

Ou ele acha normal terminar o jogo sem nenhuma chance criada a partir de construção?

É fato que a defesa requer cuidados. Muito por conta da escolha absurda de jogar com Frazan e Egídio pelo lado esquerdo. Em dois jogos o Fluminense levou 4 gols por aquele lado.

A possível entrada do Wellington no lugar de um atacante (o péssimo Lucca) será feita pra tentar solucionar um problema criado por ele. Teima em escalar na zaga um jogador como o Frazan, que não sai jogando, que não tem leitura pra fazer coberturas e nem antecipações.

Não seria melhor trocar o Lucca pelo Gabriel Teixeira ou pelo Araújo e trocar o Frazan pelo Yuri, por exemplo, enquanto o Claro está fora?

Que tipo de futebol o Fluminense quer jogar?

Que tipo de futebol a torcida pode esperar de Roger Machado?

Essa comunicação com o torcedor seria muito importante.

Desequilíbrio no futebol é quando alguma coisa funciona bem e outra funciona mal.

No caso do Fluminense até aqui, está tudo muito equilibrado, nada funciona.

Tá tudo muito ruim. A sorte é que é um jogo tão sujeito a eventos aleatórios que até os ruins muitas vezes ganham.

O azar da gente, que ama o jogo bem jogado, pelo jeito, vai ser ter que conviver com atuações medonhas mais uma vez uma temporada inteira.

Saudações Tricolores