(Foto: Lucas Merçon - FFC)

No meio da semana, Flamengo e Fluminense têm viagens e jogos que irão desgastá-los por uma competição que é infinitamente mais importante que o Campeonato Carioca.

Talvez se essa final fosse com um Botafogo, um Volta Redonda, um Vasco, talvez a gente estivesse aqui até pedindo pra poupar jogadores.


Mas não. É um clássico muito maior que qualquer competição. Sempre importa. Importa tanto, vejam bem, que vamos olhar um pouco pelo prisma do Flamengo.

O que motivou a vinda do Vitor Pereira? Melhorar performance, encantar o torcedor. O Flamengo se viu num nível que ganhar uma Libertadores e uma Copa do Brasil não bastavam. Desempenho era necessário. Só que isso durou até a página 2.

Depois das derrotas para Palmeiras e Del Valle, o próprio Vítor mudou o discurso pra justificar um modelo que buscasse resultado, que nesse momento é o que vai garantir a continuidade do seu trabalho.

Mudou o discurso e o time pra decisâo da Taça Guanabara. E quase se deu bem. Precisando de um empate, escalou três zagueiros, trancou o lado do campo, impediu o Flu de jogar e saiu com 1 a 0 no intervalo.

Diniz mexeu na estrutura, melhorou, empatou. Vitor mexeu de novo, equilibrou e levaria o empate, até que um lance improvável deu a vitória ao Fluminense.

Mas ali, Vitor Pereira achou um caminho. Caminho que utilizou nas semifinais e teve sucesso com duas vitórias. E vai usar neste sábado (01). O Flamengo deve começar a final com seus três zagueiros.

Só que dessa vez, sem a vantagem do empate, será obrigado a aprimorar sua capacidade de criar jogadas, que é uma característica muito marcante desse Flamengo recente. E deu algumas pistas contra o Vasco.

A pressão inicial dos alas indo lá na frente (assim sai o gol do Pedro de fora da área), a articulação por dentro com Gerson, Pedro recuando, Gabriel e, agora provavelmente, Everton Ribeiro, que deve substituir Arrascaeta, enquanto os alas geram amplitude.

Há ideias sendo trabalhadas, num momento de mudança muito grande de características. A solidez na defesa será a aposta do Vitor pra essa final.

Já o Fluminense tem um modelo mais encorpado e uma alternativa (com pontas abertos) sendo testada. Diniz tem dois caminhos para sábado. Manter a escalação do primeiro tempo do Fla-Flu ou, sabendo que o Fla irá com três zagueiros, tentar buscar desde o início uma superioridade numérica por dentro abrindo mão do ataque com pontas abertos.

Eu acho que ele vai começar o jogo com o time que goleou o Volta Redonda. Com Keno e Arias abertos.

A partir daí há questionamentos que só serão respondidos no confronto de sábado. Será que contra o Flamengo, Samuel Xavier e Alexsander terão toda essa liberdade?

Será que o Fluminense vai se utilizar da facilidade do Arias de jogar por dentro pra mudar o modelo e buscar superioridade numérica ao redor da bola?

Será que, com pontas abertos, esse duelo no meio (três pra cada lado) pode pender para o Flamengo como pendeu no primeiro tempo, principalmente pela boa partida do Gerson naquela oportunidade?

Será que Nino e David Braz vão largar muito a zona defensiva pra buscar Pedro e Gabriel no meio e sufocar o Fla, mesmo correndo o risco de gerar espaço nas costas?

Será que dessa vez o Flu vai encontrar alternativa pra atacar espaço caso Vitor mantenha a última linha defensiva tão alta?

Eu não tenho essas respostas, mas considero que são chaves pra vencer o clássico. Saberemos.

O certo é que serão dois Fla-Flus que vão atrair a atenção do mundo da bola. E, apesar do leve favoritismo do Flu, por motivos que expus no último texto, qualquer resultado é absolutamente normal.

E como é normal ganhar ou perder um jogo desse tamanho, é importante que o torcedor não use um jogo desse pra validar ou não os trabalhos de seus treinadores.

Eles podem, e devem, ser cobrados e criticados por suas escolhas mas jamais rotulados como fracassados por três meses de temporada e testes em andamento. Porque o que mais importa ainda está por vir.

TABELINHA

Nota 0: A contratação de Thiago Santos. Na linha de Henrique, Hudson, Felipe Melo, Bigode, Egídio… veterano que não rende há anos. Nunca, na carreira, uma grande temporada. Modelo absurdamente pernicioso pro clube.

Nota 10: A contratação do Lelê. Ainda vai sair coluna sobre isso, mas Lelê pode ajudar muito a colocação do Marcelo nesse time. Jogador de força, boa técnica, no auge físico e vindo de bom desempenho. Esse deveria ser o modelo de negócios.