Foto: CBF

O dado: uma olhada no balanço do Fluminense. É só dar um Google. Os valores são estratosféricos. Não há dúvida de que o clube deve ser gerido como uma grande empresa.

A reflexão sugerida: que grande empresa se dá ao luxo de não utilizar – e assim não valorizar – boa parte de seus ativos?

Amigos, no futebol moderno, muito acima de qualquer outra receita (TV, patrocínio, bilheteria…), a principal verba de entrada de dinheiro é a venda de atletas. As cifras são potencialmente milionárias quando estamos falando de bons jogadores.

Vocês imaginam qualquer empresa gigante naturalizando expressivas perdas financeiras, usando como bengala os exemplos positivos? Não. Não imaginam. A gestão em boas organizações é austera, vai no detalhe, se incomoda com qualquer ralo aberto.

Não no Flu.

No NOSSO clube, assim mesmo, com o nosso em caixa alta, perdemos dinheiro e vemos boa parte da torcida aceitar passivamente as justificativas mais estapafúrdias.

Falo especificamente da narrativa já consolidada nas Laranjeiras de que é normal justificar a saída de jogadores com alto valor de mercado porque os atletas, seus pais e agentes não agem de acordo com a cartilha da diretoria.

Ora é o empresário do Marcos Paulo, ora é o pai do Miguel. Ora é um pedido mais duro pra jogar (como aparentemente foi o caso do Metinho), ora é o “cancelamento” do jogador que teria se indisposto com o treinador.

Alguns saíram de graça (um escárnio!), outros abaixo do valor razoável e alguns seguem sem chance num elenco recheado de jogadores de empresários influentes, como Egídio, Barcelos, Wellington e Hudson, apenas para ficar nos exemplos das mesmas posições dos jovens preteridos.

Vamos refletir? O negócio futebol envolve atletas, agentes e familiares. Muitos dos quais despreparados pela vida dura que levaram. É razoável insistir nessa narrativa? É como se a gente tivesse dando murro em ponta de faca.

Se o presidente, o experiente Angioni, o ex-jogador Roger, todo o staff, que conta inclusive com psicólogos… Se esses caras não conseguem resolver, costurar soluções, apresentar alternativas… Amigos, quem está errado? Se fosse numa empresa austera eles estariam na rua. Vou usar um batido, mas pertinente jargão: é simples assim.

Nas empresas a cobrança vem dos acionistas, do board diretor. Num clube de futebol ela deve vir da torcida. Nós somos os acionistas do Fluminense. Nós, repito.

Mas enlouquecemos. Deixamos pra lá os “centavos” que já há anos nos coloca numa péssima posição entre nossos concorrentes. Ou vocês esqueceram que já nso levantamos uma taça há muito tempo?

Até quando iremos perder atletas (seja de graça, seja não jogando) pela justificativa de que o culpado são os outros?

O Fluminense constrói uma narrativa que demoniza algumas de suas joias para justificar sua incapacidade de contornar situações de conflito. E essa, amigos, é a hipótese suave e a única me me cabe invocar.

Um vez, duas? Ok. Acontece. Mas isso não pode ser a regra. E está sendo. Quanto de dinheiro já perdeu o clube? Quanto de nível técnico já perdemos dentro de campo?

A torcida deve refletir, parar de aceitar as justificativas oficiais sem analisar algumas questões.

Essa, em especial, com todo o respeito aos que pensam diferente, é de uma obviedade constrangedora.

Até quando?

Abraços tricolores

Curta

– Que pena a entrevista concedida pelo Mario ao globoesporte.com. Se são inegáveis alguns pontos positivos da gestão, também o são os pontos negativos. Como os jornalistas fazem matéria que mais soa como assessoria de imprensa? Não se evolui sem olhar mais de um lado.

– Enquanto termino o texto, vejo o vídeo do Mario falando sobre o caso. Nada esclareceu ao que não sabíamos. O ponto aqui é analisar a postura do atleta como fator de sua saída precoce e não o contrato com o City. Mario falou, falou, falou e, de novo, não atacou o ponto que incomoda o torcedor.