Clubes se articulam para organizar o Brasileiro das Séries A e B (Foto: Divulgação)

Duas semanas após anunciarem a criação de um bloco para organizar o Campeonato Brasileiro, dirigentes dos 20 clubes da Primeira Divisão e dos 20 da Segunda (36 presencialmente e quatro online) se reuniram na última segunda-feira. E ouviram propostas de três grupos interessados em participarem da liga.

Um dos grupos é liderado pelo advogado Flavio Zveiter e por Ricardo Fort, ex-executivo da Coca-Cola; outro é coordenado pela consultoria KPMG; e um terceiro é organizado pela empresa Livemode. O site ge divulgou detalhes das duas primeiras.

Ambas as ofertas têm muitas semelhanças e algumas diferenças. Os dois entendem que o futebol brasileiro pode ter um faturamento maior que o atual e não pode depender praticamente unicamente das cotas de TV.

Centralização de direitos comerciais e de transmissão num bloco, que conseguiria multiplicar as receitas, é vista como uma solução. Isso inclui direitos de transmissão nacionais e internacionais e patrocínios vinculados às competições, como placas e naming rights.

Zveiter propõe a abertura de uma sociedade anônima, com os clubes se tornando sócios da mesma. Mas não precisam deixar de ser associações sem fins lucrativos (e virarem empresas). Já a KPMG acena com um consórcio quando duas ou mais pessoas, físicas ou jurídicas, firmam um contrato com obrigações e deveres comuns. Não chega a ser uma sociedade, juridicamente falando, mas uma união de esforços. Esta figura detém um CNPJ e pode ter funcionários empregados diretamente por ela, mas não recolhe impostos típicos de uma companhia – como Imposto de Renda, PIS, Cofins, ICMS, IPI e ISS.

Nos dois casos, os clubes entregariam seus ativos para serem explorados coletivamente (situação que não engloba patrocínios e vendas de jogadores). A KPMG determina um prazo pré-estabelecido entre 20 a 30 anos, a ser definido pelos cartolas. Durante este tempo, os participantes dividiriam direitos e deveres e, após, a estrutura pode seguir ou ser abandonada.

Outro ponto semelhante é que ambas as estruturas prevêem a entrada de investidores. O grupo de Zveiter estima a captação com investidores de US$ 750 milhões para a liga – no câmbio atual, equivalem a cerca de R$ 3,7 bilhões. Mais conservadora, a KPMG prevê buscar fundos de investimento que aportem de R$ 1,5 bilhão a R$ 3 bilhões.

Confira mais pontos debatidos

DIVISÃO DO DINHEIRO

A KPMG entende que isso deverá ser debatido depois de definidas as estruturas da liga. O grupo de Flavio Zveiter mostrou algumas proposições.

Quanto à captação inicial de luvas, os clubes da Série A receberiam 81,5% da verba e os da B, 18,5%.

Fatores como desempenho esportivo e tamanho de torcida deverão ser levados em consideração para determinar os percentuais de cada.

DISTRIBUIÇÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS

Televisão aberta e fechada

50% iguais para todos os clubes da divisão
50% condicionados à posição na tabela

Pay-per-view

70% condicionados à quantidade de assinantes
30% iguais para todos os clubes da divisão

Internacional

40% iguais para todos os clubes da divisão
30% condicionados à posição na tabela
30% de acordo com “fama” (medida por pesquisa)

Patrocínios obtidos teriam igual distribuição para os clubes da divisão.

RECONFIGURAÇÃO DE CAMPEONATOS

Enquanto a KPMG não entra em pautas controversas como reforma de calendário ou organização de campeonatos, o grupo de Zveiter tem algumas sugestões. São elas: Campeonato Brasileiro e Série B passariam a ser disputados primordialmente aos fins de semana – de preferência, primeira divisão aos domingos e segunda aos sábados. Copa do Brasil e Libertadores ocupariam os meios de semana, como geralmente já acontece; pausa no meio da temporada para excursões dos clubes pelo exterior; apenas três rebaixados na Primeira Divisão; dois times da Segunda sobem diretamente (campeão e vice) e o terceiro e o quarto se enfrentando num playoff pela vaga restante.

Estaduais não precisariam ser extintos, mas seriam disputados com times sub-20, o que pode e deve causar enorme resistência à Liga por parte das federações, pois perderiam parte das receitas com direitos de transmissão e patrocínios.