Foto: Mailson Santana/FFC

Nobres tricolores,

discorrer sobre Abel é chover no molhado. Cara vencedor pra cacete, sujeito homem, de brio, emotivo, amigo dos amigos. Talvez um dos melhores gestores de pessoas do futebol brasileiro.  Impossível não gostar do Abelão.

Irrita nas coletivas? É verdade. Vê o que ninguém consegue, destaca quem joga mal, elogia quem dá canelada, vacila nos “poblemas”, mas a meta é atingida: fala pra dentro. O técnico, quando se situa a frente do backdrop, com tênis verde musgo da Under Armour na mesa de plástico, só tem como objetivo enaltecer seu limitado elenco, passar segurança à turma e se posicionar, de fato, como o Ferguson tricolor.

Dentro das quatro linhas, o Fluminense não conseguiu mais do que um ponto em 12 disputados pela ausência de leitura de jogo do treinador. Nesse quesito, Abel Carlos da Silva Braga não é diferente de nenhum outro. Teimoso, retranqueiro e, acima de tudo, incoerente.

Jogamos como Paraná contra o Paraná. Enfrentamos o Flamengo com a camisa tricolor e alma de Bonsucesso e, enfim, encaramos o Atlético-MG como Fluminense. Os três zagueiros que melhor tratam a bola escalados, dois alas velozes, Matheus Alessandro e Pedro na frente. Mas nem tudo é perfeito. Tome três volantes!

Sornoza não tá bem. Em qualquer outro time seria barrado. Se tivesse meia de criação no plantel. O Fluminense não tem. Então não pode inventar. Deixa o equatoriano.

Começa a partida, postura diferente. Agredimos o Atlético-MG, fomos prejudicados por pequenos erros do árbitro que, paulatinamente, minam o jogo e saímos para o intervalo com um justo 2 a 2.

Vem o segundo tempo, o Galo desempata e Abel entra em ação. Põe Pablo Dyego, saca Matheus Alessandro. Perfeito. Depois…

Para dominar o adversário é preciso ter a posse de bola, gostar dela, girar de um lado para o outro a fim de encontrar os espaços. E nosso Ferguson tira o Gilberto, àquela altura no sacrifício, põe o Sornoza. Quem vai pra lateral? Jádson. Danou-se.

Perdemos o melhor jogador da transição defesa-ataque e os três zagueiros continuam posicionados como três zagueiros. A pá de cal vem a seguir com o inominável. Ficamos com um volante na lateral direita e um zagueiro do outro lado. E, claro, poucas bolas cruzadas na área com qualidade para Pedro e o Poste, que toca na pelota três vezes. O Atlético-MG explora os contra-ataques com o endiabrado Roger Guedes. Deixamos o Independência com cinco nas costas. Placar exagerado. Derrota previsível.

Abel comete erros consecutivos. Quando ele entra numa espiral de loucuras e pirraças fica difícil descobrir onde está o leite que o treinador tira da pedra. “Mas peralá, Leandro, a Flusócio tá destruindo o clube e você gasta energia pra reclamar do Abel”. As duas coisas andam em paralelo e quem sofre é o Fluminense.

O técnico, mesmo sem querer e até saber, é cúmplice do processo acelerado de apequenamento do Flu. Virou amigo do presidente, sempre que possível o defende com veemência, o exime de culpa e na ausência de comando faz o que quer. Não só aceita, como indica jogador agenciado pelo próprio filho. Uma falta de ética que seria questionada em qualquer outro lugar. Insiste com a figura, mesmo após comprovada deficiência técnica. Assume heroísmo quando tenta a todo custo bancar novos Gabirus com Romarinho, Maranhão, João Carlos entre outros. E erra. Como erra na estratégia de jogo!

Mas há quem diga que ruim com Abel, pior sem ele. Tricolores que somos, estamos de saco cheio das migalhas. O Fluminense é time de 13º lugar há quatro anos e precisamos ser reféns do medo. Reféns da demissão de um treinador que se apoderou da bagunça porque temos pânico das escolhas daquele que destrói o clube diariamente.

Eu sou fã do Abel Braga. Mas sou mais do Fluminense. Hoje seria o homem ideal para o cargo vago de Paulo Autuori. Não tem melhor administrador de elenco do que ele. Mas dentro de campo é nítido que não consegue tornar um time razoável minimamente competitivo com constância. Nossa ilusão dura algumas rodadas, alguns jogos esporádicos. Vivemos de lampejos. De migalhas. A presidência cairia bem para bonachão. Defende a instituição como poucos, blinda o Fluminense de todas as mazelas políticas com sua eterna briga pelo poder entre a situação e a oposição por ocasião.

Em campo, para cada decisão de um Abelão protagonista temos um Fluminense cada vez mais coadjuvante. Para cada João Carlos em campo é um ponto a menos na tabela. Eu não tenho dúvida de que esse cara que tanto admiro, que nos deu título estadual, nacional e nos tornou maior alguns anos atrás, possa contribuir muito mais do que a múmia que colocaram no lugar do Mitômano e do enrolador mimado que estava por lá. Mas à beira do gramado tá difícil.

Não, não é um pedido de demissão. Abel é o pior melhor nome para esse Fluminense de Pedro Abad e Flusócio. Teremos mais um ano e meio dessa mediocridade. À mercê de escolhas absurdas, incongruentes. Ouviremos que o time tem “alma” mais umas 200 vezes. Acompanharemos três zagueiros e três volantes como visitantes. Veremos o Marlon errando passes até enjoar, o Robinho dormindo em pé e o João Carlos trombando com a trave.  Mas sem elenco, salários, direitos de imagem e comando, nos resta a submissão.

Enquanto houver Flusócio, que haja Abel.

 

– Maluco que sou, estarei no Maracanã na quarta. Devo me estressar.

– Vou reclamar do Abel, xingar o presidente, mas se eu posso ajudar de alguma forma é estando lá pra também apoiar esse time ruim que nos deram pra torcer.

– Difícil será quando a sobriedade se apoderar em definitivo da mente.

– Pelo menos barre o Renato Chaves para sempre, Abel!

– O sobrestimado Douglas fez uma boa partida. Insuficiente.

– O Richard, volante dos anos 90, só toca de lado e não sai nunca.

 

Saudações!

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