Fala, galera!

Se já não bastassem os preços dos ingressos altos, um plano de sócio-torcedor ruim e segregação da própria gestão do Fluminense, que separa crianças, adolescentes e idosos da festa, que acontece no setor Sul do Maracanã, agora há um outro motivo para afastar a torcida dos jogos. O Gepe, grupamento da Polícia Militar responsável pelo policiamento nos estádios, com a aprovação do Flu, resolveu isolar as torcidas organizadas num curral, igual gado ou bandidos.

Vou aos jogos do Fluminense desde criança. Naquele tempo, com meu pai, gostava de assistir os jogos próximo à Força Flu, pela localização no estádio. Desta forma, iniciei minha trajetória de torcedor de arquibancada na antiga arquibancada verde do Maracanã. A partir de 1999, por identificação própria, passei a assistir aos jogos do Tricolor na Young Flu. Até mesmo ajudar na organização de festa. Em seguida, migrei para a Garra Tricolor, acompanhando uns amigos que participaram do retorno da torcida. Enfim, em 2009, me juntei à Legião Tricolor, que era o tipo de festa que sempre sonhei na arquibancada. Para concluir o meu histórico de “arquibaldo”, atualmente assisto os jogos na Bravo 52, ou próxima dela, cantando o jogo todo.

Curral disponibilizado às organizadas

Apesar de todo esse histórico de torcedor “organizado”, nunca fui afiliado ou sócio de alguma delas. Agora, por determinação do Gepe, caso desejasse assistir os jogos do curral – mas não quero! – teria que me associar. O cadastro de biometria é válido, sim, mas deve ser para todos! E acredito que seja. Não pode haver preconceito. Arquibancada, povão, bateria, bandeiras e sinalizadores, é para todos. Preto, branco, homem, mulher, alto, baixo, gordo ou magro.

Agora, lugar de bandido é na cadeia! Eles são minoria, em qualquer clube de futebol. Não vai ser desta forma, que separarão o joio do trigo. Hoje em dia, quase a totalidade dos incidentes que acontecem no futebol carioca são fora do Maracanã. Confronto entre torcedores, na maioria das vezes, são encontros marcados pela Internet, a quilômetros de distância dos estádios, a fim de evitar punições. É verdade! Os mal intencionado, poucas vezes ainda pensam. Não será o confinamento a solução do problema. Brigou, agrediu, matou, roubou: cadeia! Se desejam fazer algo de eficiente, criem leis, punições e campanhas para educar a sociedade. Os caras saem na mão, colocam o outro na cama do hospital e ficam impunes.

A cada ano que passa, os estádios no Rio de Janeiro, principalmente, estão mais vazios. Só a TV lucra. Uma ação dessas só pode ser vantajosa para um setor. A televisão, que arrecadará cada vez mais com o pay per view. O Fluminense deveria ter votado contra. Seu maior patrimônio é o torcedor. Acurralar os seus membros numa jaula vai desestruturar ainda mais o programa de sócio-futebol, que já não é bom.  E o consórcio que administra o estádio do Maracanã, que é do povo, cercou a gaiola com cabos de aço.

O futuro do clube é preocupante. Já não bastasse uma gestão que carrega uma bandeira de (falsa) austeridade financeira, com planos de time pequeno, desta vez, dá novo aval para prejudicar o Fluminense.

Convoco aqui uma campanha para incentivar o fim deste absurso. Espalhemos pelas redes sociais a hashtag #DigaNãoAoCurralDoMaracanã.

Saudações!