Foto: Nelson Perez - FFC

Nobres tricolores,

eu manteria Gustavo Scarpa. Não é craque e duvido que se tornará. Nesse ano irritou muito. Chutou quando deveria passar. Chutou de novo quando deveria cruzar. Cruzou quando poderia finalizar. Tentou, tentou, tentou e tentou. Por isso defendo a permanência.



Scarpa sabe que é o oásis de inteligência e técnica no parco elenco tricolor. Jovem e um pouco acima da média intelectualmente, tem ânsia de resolver porque nenhum outro possui essa capacidade. Mas quando a fase é ruim, recomenda-se simplificar. Isso no alcorão dos medíocres.

Li uma frase no twitter de Walter Erviti, ex-volante do Boca Juniors (ARG). Não era lá um jogador dotado de qualidade, mas lúcido com as palavras: “O problema do futebol atual é que se você pensa, tenta criar e erra, já começam a reclamar. Aí você tenta de novo, e mais uma vez reclamam. Na terceira vez você dá um bico para cima e te aplaudem. E assim vamos renunciando ao primordial do jogo, que é ter a bola”.

Scarpa irrita porque erra muito mais do que acerta. Finaliza 20 para acertar uma. Vacila em algumas tomadas de decisão. Mas praticar a jogada comum, fazer o trivial, não modificará o panorama das partidas do Flu que, invariavelmente, são previsíveis e angustiantes de assistir. Melhor pecar pela tentativa do que por omissão.

Muitos tricolores reclamam do “mimo” dado a ele. Mas qual jogador de futebol não o é? No início de minha carreira, no Diário Lance, presenciei certas vezes assessores de imprensa agindo como autênticas babás. Era Coca-Cola – com canudo – do lado, salgadinho comprado na quitanda à disposição. Alguns se sujeitam, inclusive, a procurar moradia, levar o filho na escola, pagar contas e etc.

Gustavo Scarpa pode não ser o craque que os Teixeirenses acham, mas trata-se do melhor jogador do elenco tricolor. E isso, por si só, significa muito. Não temos informações oficiais do clube e, dificilmente, teremos. Nessa época do ano, o silêncio é a alma do negócio e assim tem de ser. Me baseio, portanto, nas informações de meus colegas de trabalho (by Senor Abravanel) e, claro, especulações.

Se as conjecturas iludem, também trazer esperanças. Em tempos de vacas magras, sonhar custa pouco. Pior é ter de conviver infindavelmente com a realidade crua e intragável.

São três os interessados no camisa 10 do Flu: Palmeiras, São Paulo e Corinthians. A imprensa coloca o jogador mais próximo do Alviverde. Dinheiro jorrando, salários altos, pagos religiosamente no dia combinado, e metas muito mais ambiciosas que as do Tricolor. Em troca, o vice-campeão brasileiro nos cederia um pacote de três jogadores por empréstimo de um ano. Scarpa iria em definitivo para o Palestra, que pagaria uma grana. A ver.

O Palmeiras conta com três meias de bom nível. Acabou de contratar Lucas Lima e ainda possui no grupo Guerra e Moisés. Não é posição carente, mas bons jogadores, claro, nunca são demais pra quem pode gastar para tê-los. Logo, tá na dele e, evidentemente, oferecerá ao Flu atletas que não lhe interessam. Na lista já foram especulados, ao todo, nove nomes: Luan, Juninho, Fabiano, Michel Bastos, Raphael Veiga, Hyoran, Guerra, Erik e Roger Guedes.

Paulo Vinícius Coelho, palmeirense e com boas fontes lá dentro, destacou que Hyoran e Roger Guedes são praticamente certos. Um terceiro entraria na negociação. Talvez o zagueiro Juninho, desde que Henrique, de salário de quase meio milhão de reais, se transfira.

Luan e Guerra foram vetados pela direção palmeirense. A conclusão disso: O Flu recebe, por empréstimo, três jogadores de nível inferior a Scarpa, supostamente, reforça seu elenco e ganha uma grana apenas para pagar atrasados. No fim de 2018 estaremos sem nosso principal atleta, sem dinheiro e sem os jogadores do Palmeiras. Péssimo negócio.

Uma nova situação publicada nesta quarta-feira é de um bizarro empréstimo de dois anos de Scarpa ao Palmeiras. Custo a crer num aceite por parte da diretoria tricolor. Mas…vai saber, né? Esses caras não cansam de nos surpreender. Negativamente.

Outro interessado, o São Paulo ofereceu cerca de R$ 11,6 milhões mais três jogadores por empréstimo, que também não lhe servem, para ficar com Scarpa em definitivo. O raciocínio se repete. Não há a certeza de melhora exponencial do elenco, perde-se o principal jogador e a bufunfa recebida será utilizada apenas para cumprir obrigações trabalhistas.

Por fim, o Corinthians. O atual campeão brasileiro, segundo informações, não tem grana e quer Gustavo Scarpa por empréstimo de um ano. Cederia, da mesma forma, três jogadores: Lucca, Marquinhos Gabriel ou Giovanni Augusto e Léo Príncipe. Nomes discutíveis, mas a fórmula de negócio, muda o panorama.

É muito fácil o discurso de “tem contrato, precisa cumprir”. Quando o jogador não quer ficar em um clube, não adianta. Faz represália e bota pra treinar em separado? E como fica a valorização de seu ativo? Scarpa quer sair, tem esse direito e no lugar dele não agiria diferente.

Quem quer ficar em um clube sem comando, sem dinheiro para honrar os compromissos e, principalmente, sem ambição? O Fluminense, hoje, passa por um processo de Figueirização sem precedentes, com todo respeito ao alvinegro catarinense. Os jogadores têm ciência disso, os empresários, funcionários e o próprio Abel, que, atualmente, é maior do que o clube.

Portanto, se a transferência do nosso principal jogador para um rival nacional é inevitável, o melhor cenário é a cessão por empréstimo. Neste caso, de acordo com as infos e especulações, o Corinthians. Pagando integralmente o salário de Scarpa, claro, e o Flu do trio alvinegro.

Scarpa, muito provavelmente, seria titular no time do Parque São Jorge e obteria uma valorização, que, talvez, não consiga no Palmeiras, dada a gama de opções no elenco, e São Paulo, que está fora da Libertadores.

O Corinthians é o campeão brasileiro, clube mais vitorioso desta década, uma torcida grande e presente e disputará o principal torneio do continente. Scarpa ficaria no clube preto e branco por empréstimo de um ano e opção de compra. Se não tiverem dinheiro para comprá-lo, volta para o Flu em 2019. Na melhor das hipóteses, ou pior, dependendo do ponto de vista, sai em definitivo, vendido para algum clube estrangeiro por uma grana que, de fato, reforce os cofres tricolores para aprimorar o elenco.

Léo Príncipe é ainda uma promessa. Marquinhos Gabriel, ou Giovanni Augusto, e Lucca, potenciais titulares. Não são os nomes dos sonhos e caso não deem certo, não renovam para 2019 e teremos a volta do camisa 10.

A melhor das hipóteses, repito, é o prolongamento da carreira de Gustavo Scarpa no Fluminense e que o clube, através de outros meios, consiga reforçar o plantel. Mas com uma gestão que prima pelo corte de despesa acima de tudo e zero arrojo, falar disso é utopia.

Deveremos perder Chutavinho. Virão jogadores de nível técnico duvidoso e os que defendem o indefensável dirão que foi ótimo negócio. O Fluminense segue o seu calvário.

 

– Cogitar Lucas na troca por Scarpa só pode ser pra irritar

– Calazans e Matheus Alessandro podem ter um 2018 de afirmação

– Faltam 18 dias para o ano acabar sem vice de futebol, sem executivo e sem reforço

– Prisões desnecessárias e arbitrárias. Não faço coro à esparrela política

 

Um grande abraço e saudações!

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