Nobres tricolores,

o destino reservou que meu primeiro post no novo NETFLU fosse sobre um título tão importante como o da Primeira Liga. Gostaria de tecer mais comentários sobre a bonita festa em Juiz de Fora. Mas momentos como o que vivi na última quarta-feira, 20 de abril, fazem aflorar muito mais meu lado jornalista do que o de torcedor.

Em caravana com a Flubus, nova parceira do site número 1 da torcida tricolor, chegamos ao Estádio Municipal Radialista Mário Helênio restando poucos minutos para o início da partida. Um trânsito monstruoso a poucos quilômetros do palco da decisão. A tensão tomava conta da galera. Nas imediações do estádio, filas colossais. Logo pensei: “brasileiro não pode ver fila que se enfia na primeira que aparece”.

Ledo engano. Era necessário passar por um conglomerado de pessoas para adentrar no “Helenão”. Uma desorganização não vista desde os grandes clássicos do Maracanã dos anos 1990. Um funil para a entrada de uma multidão. Senhoras e crianças sendo empurradas, quase que esmagadas nas grades de proteção. Até que…

Começa a algazarra. Alguns brutamontes, que vocês já sabem bem de onde vem, quem são e o que fazem, forçam a grade de proteção para entrar de qualquer jeito no estádio. Começa a primeira intervenção policial: Gás de pimenta na cara. A maioria, claro, pessoas de bem. Idosos, como a Dona Iolanda, com quem dividi o ônibus da caravana, tentando respirar, sem conseguir, imprensada por marmanjos que só queriam confusão, fruto de uma desordem e inoperância da PM local.

Uma vez dentro do local da partida, com o jogo já tendo seu início, me dirigi com os meus para a arquibancada verde, talvez prevendo confusão. O setor vermelho era ocupado por uma parte maior da torcida e pelas organizadas. Tivemos sorte.

Noves fora a falta de empolgação dos tricolores na parte onde fiquei no estádio, que eram mais espectadores do que torcedores, e do domínio atleticano no primeiro tempo, tudo tranquilo na etapa inicial da decisão.

Mas no intervalo, vejo pessoas ainda entrando no “Helenão”. Pagaram para assistir metade de um jogo. A cabeça é esticada e o que observo é uma fila considerável. A revolta  só aumentava.

Veio o segundo tempo. Com ele a tensão, o nervosismo, o gol perdido do Magno Alves e Marcos Júnior “Resolve”, resolvendo. Taça na mão e muita alegria. Até que…

“Torcedores” invadem o gramado. Me perguntava na arquibancada: “Pra quê?”. A PM, mais uma vez, despreparada, covarde, generaliza os maus exemplos e lá se vão mais sprays de pimenta na torcida. Um clarão se abre na arquibancada vermelha. No lado oposto, filmando a festa dos jogadores, a garganta queimava. Os olhos ardiam. Repugnante.

Uma partida, praticamente de torcida única, terminar com aquelas cenas patéticas, de puro despreparo policial e intransigência de determinados indivíduos. Os jogadores do Atlético-PR, que receberiam as medalhas de vice-campeões, com medo daquela dezena que resolveu entrar no campo, correm apressados para os vestiários. Que lástima!

Os campeões, atônitos, sem saber o porquê daquilo tudo, afinal, um título acabara de ser conquistado, esperavam o fim da barbárie para, merecidamente, celebrarem. Em frente à bandeirinha de escanteio, onde pude ver Marcos Júnior colocar por entre as penas de Weverton e nos dar o título, só abaixava a cabeça.

É chavão, mas o que começa errado, termina errado. Por parte de quem causou toda a confusão, não há inocentes. Polícia, (alguns) torcedores, organização do estádio. O tricolor de bem, que foi com o filho, a família, sofreu. Não merecia. Festejou, brincou, comemorou e, por alguns instantes, teve de se preocupar.

Do meu lado, um pai preocupado. “Eu aqui e minha filha lá do outro lado. Meu Deus”. “Tenta ligar para ela”, disse. “Não dá. Do jeito que está é até perigoso atender”.

A cidade mineira, tão acolhedora e de pessoas amáveis, eventualmente, não estava preparada para receber um jogo deste porte. Os campeões, os verdadeiros, aqueles que mantém a chama do espetáculo, a razão do sucesso desse esporte, não tiveram dignidade. Nem da hora do grito mais aguardado.

 

tricoladas1

– No segundo tempo, pedi Marcos Júnior e Richarlison nas vagas de Osvaldo e Magnata

– Levir tirou Osvaldo e Gerson (???), pôs Marcos Júnior e Edson (???)

– Temi.

– Edson entrou muito bem, Magno Alves deu o passe para o gol e Marcos Júnior fez

– Não entendo nada desse troço chamado futebol

– Dois laterais-esquerdos, um direito, um meia e um atacante para o Brasileirão

– Giovanni não dá mais. Improvisem, mas não o utilizem.

– É CAMPEÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Um grande abraço e saudações!

 

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