RAIO-X TRICOLOR: a novela Dodi e seus protagonistas

Nos últimos dias o debate em torno da renovação de contrato de Dodi voltou à pauta da torcida tricolor. Poupado na partida contra o Sport, o volante de 24 anos conseguiu se firmar como peça importante do Fluminense pouco mais de 2 anos após sua estreia, no dia 30 de maio de 2018.

Antes de debatermos o problema central dessa renovação e toda a novela que está a sua volta, vamos falar de valores. Até onde a diretoria deve (e pode) ir para manter um dos pilares da equipe de Odair Hellmann? O jogador é uma peça insubstituível no futebol brasileiro e até mesmo dentro do próprio elenco tricolor?

Que o jogador tem um papel importante em 2020 ninguém discute. Dentre os (poucos) méritos de Odair no comando do Fluminense, um deles foi ter recuperado a confiança e dado a primeira grande sequência como titular de Dodi com a camisa tricolor. No entanto, é preciso deixar bem claro: o jogador está longe de ser um atleta fora de série, que justifique loucuras financeiras.

Vendo os números do atleta com a camisa do Fluminense constatamos o óbvio: mesmo em boa fase, o jogador passa longe de ter índices que o coloquem entre os melhores do país. Sem um rendimento acima da média nas retomadas de bola e nem nos fundamentos ofensivos, Dodi precisa ficar um bom tempo com o mesmo futebol dos últimos meses para subir de patamar.

Justiça seja feita: Dodi tem algumas características importantes que não aparecem nas estatísticas, como a capacidade em fazer arrastes com a bola dominada e uma boa capacidade em realizar o jogo associativo. Outro ponto a se ressaltar é a ausência de sequência de jogo que o jovem teve nos dois últimos anos. E é ai que está o cerne da questão.

A principal motivação de Dodi e seu staff em fazer um pedido fora da realidade do tricolor é a necessidade por uma valorização. Ao olhar para o lado e ver muitos companheiros ganhando muito e performando pouco, o volante se sente no direito de ganhar mais. E, convenhamos, o atleta está no seu direito, até porque essa desvalorização com o volante no clube das Laranjeiras não vem de hoje…

Vendo a imagem acima percebemos que, desde 2018, Dodi se acostumou em ver seu trabalho desvalorizado perante a atletas com qualidade técnica questionável, para dizer o mínimo. Sendo titular menos vezes (e ganhando menos) do que todos os volantes que passaram pelo clube nos últimos dois anos, é natural que o jovem queira aproveitar sua primeira boa fase no Fluminense para se valorizar.

É evidente que o jogador nunca atuou no mesmo nível de 2020 durante as duas últimas temporadas, mas, em defesa do atleta, Dodi passou longe de contar com a mesma boa vontade que veteranos como Airton e Bruno Silva tiveram com a camisa do Fluminense. Considerando apenas 2018 e 2019, o máximo de partidas seguidas como titular que o camisa 22 do atual elenco tricolor teve foi 6, durante o Brasileirão de 2018! Ano passado o jovem não conseguiu atuar seguidamente mais de 3 jogos, quando entrou em campo contra Palmeiras, Avaí e Fortaleza, na reta final do último Campeonato Brasileiro.

Para piorar toda a situação, o volante tem a seu favor o fato de seu contrato terminar em plena reta final de Brasileirão. Sendo um atleta importante para o elenco atual de Odair Hellmann, seu poder de barganha sobe muito para colocar a diretoria tricolor contra a parede.

Exemplos como esse servem para reflexão da diretoria tricolor: até que ponto vale a pena contratar (ou renovar o contrato) com medalhões que, mesmo sem altíssimos salários, ganham acima do que entregam dentro de campo e, sendo adquiridos em grandes quantidades, inflam a folha salarial e tiram espaço de jovens que ainda podem se desenvolver.

A favor do clube podemos citar os casos recentes de jogadores medianos que viveram boas fases no Fluminense e cresceram o olho. Gustavo Scarpa, Yony González, Luciano, Everaldo, Henrique Dourado, Danielzinho, Júlio Cesar… Onde estão agora? Teria compensado para o clube fazer loucuras financeiras para manter esses atletas? Claro que alguns desses poderiam manter o bom nível atuando onde já estavam adaptados, mas também a sequência de suas carreiras deixou claro que passavam longe de ser o suprassumo da qualidade técnica.

Até onde o Fluminense deve abrir os cofres pelo volante é uma incógnita. Mas uma coisa é certa: enquanto o modus operandis do clube não mudar em relação a montagem de elencos e contratações, a tendência é que tenhamos muitas “novelas Dodi” nos próximos anos.

Um abraço e até semana que vem.