Contratado até o fim de 2023, o meia-atacante Michel Araújo, que concedeu entrevista exclusiva ao NETFLU nesta quinta-feira, não está a par da briga de bastidores envolvendo a sua contratação. O agente Adriano Maurício, que apresenta alguns documentos mostrando que indicou e ajudou a trazer o atleta, cobra R$ 420 mil de comissão do Tricolor na Justiça. Chamado de “vigarista” pelo intermediário oficial da negociação, Régis Marques, ele retrucou:

– Eu ofereci o jogador no dia 26 de dezembro do ano passado. O Ricardo (Corrêa, chefe do departamento de captação do Fluminense) me disse que o presidente de lá (do Racing (URU) e o daqui (Mário Bittencourt) credenciou um agente, mas não disseram um nome. Acho que o mais nobre da parte do Régis e até do Ricardo, porque fiquei calado em respeito ao Ricardo, era se manifestarem. Os caras ficaram calados. Depois do dia 15 de janeiro, eu comecei a cobrar os caras, botando na parede. O Régis me diz que o empresário do jogador ganhou 100 mil dólares. Ele acha que todo mundo é otário. Em momento algum eu queria processar o Fluminense, mas só estou correndo atrás dos meus direitos – salientou e emendou:


– Se eu não estivesse dentro do negócio, como eu teria acesso aos documentos? Ele (Régis Marques) que é um atravessador, não sou eu. O próprio Ricardo diz que o Régis já sabia do negócio, da minha participação. Eu estava esperando para ver o posicionamento dos caras. Depois, o Régis me bloqueou. Se fez isso, é porque não tem intenção de cumprir com o que tinha me falado. Como eu vou acreditar agora, se lá atrás ele tinha me atravessado? Quem dá R$ 96 mil de consideração? Ele está querendo é me dar um cala boca. Já o Ricardo não me bloqueou, mas também não está me respondendo. Ele sabe que a situação é complexa. Os caras acham que a gente é trouxa – concluiu.

Também em contato com o NETFLU, o advogado do empresário Adriano Maurício, Wallace Oliveira, também criticou duramente o agente Regis Marques, endossando as palavras de seu cliente:

– Quem está se aproveitando da situação foi o próprio Régis. O que acontece? O Adriano manteve a apresentação entre as partes. Quando despertou o interesse, ele foi até o empresário uruguaio e apresentou, passando o telefone. Daí, ele foi posto de lado na negociação e entrou o Régis. O fato de ele não ser agente registrado não importa nesse sentido. Era uma questão de boa-fé. Régis atravessou o negócio. Quem foi o aproveitador no caso, foi ele. O próprio Ricardo, que é o chefe de capacitação do Fluminense, disse que a parte dele já estava com o Régis. A maior indignação hoje do Adriano é que se ele não tivesse participação nenhuma, porque ofereceriam R$ 96 mil pra ele? – indagou.

Apesar das críticas a Régis Marques, o representante legal de Adriano afirma que não pensa, neste momento, em entrar na Justiça contra ele. Segundo o advogado, a responsabilidade da distribuição da comissão é do única e exclusivamente do Fluminense.

– Não pensamos em entrar com uma ação contra o Régis, porque a minha relação foi totalmente com o Fluminense. Se o clube não resguardou para pagar quem participou diretamente, o problema é do Fluminense. Há provas notórias de que o Adriano participou. O Régis é só uma testemunha, no caso. Não justifica ele receber 48 parcelas de R$ 2 mil por pena. Quem faria isso?

O Fluminense foi notificado sobre o ocorrido no dia 18 de fevereiro e não respondeu ao advogado, tampouco ao empresário Adriano Maurício. Dentro deste contexto, o NETFLU obteve o contrato de pagamento de comissão definido para os representantes diretos do atleta.

Veja:

Procurado pelo reportagem do NETFLU para comentar o caso, o Fluminense informou que não se manifesta sobre questões jurídicas.

Michael Araújo foi contrato por R$ 4,2 milhões até dezembro de 2023. O jogador recebe pouco mais de R$ 76 mil em carteira e ainda tenta conseguir seu espaço na equipe titular de Odair Hellmann. Até o momento, ele fez três jogos e não estufou as redes adversárias.