Foto: Lucas Merçon/FFC

A Chapecoense é um dos piores times do campeonato e dificilmente escapará de seu primeiro rebaixamento este ano. É uma verdade. Mas tão verdadeiro quanto, é o fato de que esse time havia jogado 12 partidas em seu estádio e perdido apenas uma (para o Palmeiras). Tirou pontos preciosos de muitos candidatos ao título, incluindo o próprio Palmeiras, quando jogou em São Paulo. Não é, portanto, muito comum os adversários saírem de Chapecó com três pontos na bagagem. Outro detalhe importante: o Fluminense foi o único time, até agora, a ganhar os dois jogos contra os catarinenses, algo que as equipes mais badaladas não conseguiram.

Isso quer dizer que todos os problemas estão resolvidos? Evidentemente não. A meta mais realista continua sendo alcançar os 47 pontos. Mas a atuação em Chapecó, numa semana conturbada e cansativa, mostrou que o elenco, com todas as limitações, está comprometido com a causa. Diferentemente da diretoria, vem se esforçando para cumprir o seu papel. Mostrou também que o time começa a aprender a jogar sem Pedro.


Não quero aqui usar o Deportivo Cuenca e a Chapecoense como parâmetro. E é claro que não dá para fazer uma análise de qualquer partida sem considerar a qualidade do adversário. Mas o que proponho é deixarmos os jogos e os resultados de lado e nos apegarmos apenas à postura do Fluminense em campo, comparando-a com jogos anteriores (alguns contra adversários iguais ou piores que os dois últimos). Tanto em Quito quanto em Chapecó, foi possível perceber um time mais maduro e mais seguro em campo. Errando, porque os jogadores são os mesmos e não vão aprender o que não sabem de uma semana para outra, mas jogando de forma agrupada, organizada e, mesmo com menos posse de bola, buscando o ataque sempre que surgia uma oportunidade.

Marcelo Oliveira parece estar se convencendo de que o esquema com três zagueiros é o que mais combina com as características dos jogadores. O trio não é lá grande coisa e, além de marcar o adversário, cada um deles precisa estar sempre vigiando o companheiro, pois as falhas são frequentes. Com erros e acertos, Gilberto e Ayrton Lucas vem fazendo um ótimo campeonato e ganham mais liberdade com este formato. Embora Léo não tenha a mesma desenvoltura do titular, também fica menos exposto na marcação.

O maior problema continua sendo o meio-campo. Richard e Jadson são incapazes de iniciar qualquer jogada. Impressiona a quantidade de contra-ataques que proporcionam ao adversário com seus passes errados. Aírton seria uma opção melhor, mas está visivelmente acima do peso. Aliás, como pode um jogador profissional estar acima do peso quase no final da temporada? Com Dodi, a situação melhora. Pouca coisa, mas melhora. E Sornoza começa, finalmente, a ensaiar uma recuperação. Fazia tempo que não conseguia jogar mais do que uma boa partida a cada seis meses.

Funcionou bem a dupla de ataque, com a velocidade de Everaldo e a habilidade e movimentação de Luciano. A impressão é de que o primeiro vem encontrando o seu espaço, jogando mais à vontade e ganhando confiança. Luciano ainda parece longe de sua forma ideal, mas tem boa visão de jogo, qualidade nos passes e abre espaços com inteligência. Na ausência de Pedro, foi a melhor solução.

O primeiro tempo em Chapecó foi bom. Mas as características do jogo ajudaram. A responsabilidade de atacar era da equipe da casa e os contra-ataques funcionaram. No segundo tempo, o desgaste da viagem pareceu pesar. Quando o empate parecia inevitável, Douglas acertou Ayrton Lucas e deixou a equipe da casa com um a menos, tornando um pouco menos difícil a missão tricolor.

Boa atuação, excelente resultado. Aliás, dois ótimos resultados fora de casa, que podem aumentar a confiança do time para o próximo desafio, contra os reservas do Grêmio. Depois, enfrentará Paraná, Deportivo Cuenca, Flamengo e Atlético-MG, jogando sempre no Rio. Pode chegar ao fim de outubro livre de qualquer ameaça no Brasileiro e nas quartas de final da Sul-Americana. Nas circunstâncias, seria mais do que qualquer torcedor otimista poderia imaginar.