Tem alguém aí com saudades da Libertadores? Chegou a hora da verdade, meus amigos, agora é mata-mata. Vamos nos preparar fora de campo porque agora qualquer erro será fatal.

O que é o Cerro Porteño? Onde vive? O que come? Como joga?

Para ser direto e objetivo, o Cerro do técnico Arce (estrela da seleção paraguaia e do futebol brasileiro nos tempos de jogador) é um time pragmático. Que nunca se expõe desnecessariamente, que se defende bem quando não precisa correr risco em busca do resultado. Sofre poucos gols, mas também faz poucos gols. Não é time dos mais contundentes e cria poucas oportunidades de gol na maioria dos jogos.

Na fase de grupos da atual Libertadores o Cerro sofreu apenas 5 gols, todos nos 2 jogos contra o Atlético-MG. O que significa que não foi vazado nos demais 4 jogos. Por outro lado fez apenas 4 gols, e é o pior ataque entre todos os times que passaram para as oitavas de final.

Traduzindo…o Cerro é aquele time chato que faz 1×0 e sabe segurar o resultado sem se expor e sem correr grandes riscos. E que sabe muito bem especular com o 0x0 no placar contra um adversário forte.

O problema deles é quando estão em desvantagem no placar do jogo ou do confronto de mata-mata e precisam assumir riscos em busca do resultado. A linha de defesa tem dificuldade quando precisa jogar mais adiantada e costuma dar espaços para infiltrações e lançamentos.

Estar atrás deles no placar do confronto é um problema… estar na frente é uma enorme solução. Isso pode ser determinante para definir quem passa e quem fica pelo caminho.

Agora vamos falar da escalação.

Nossos desfalques preocupam, certo?

Mas o nosso oponente também terá sérios desfalques. Dois jogadores titulares da seleção paraguaia na recente Copa América não estarão em campo. O bom volante Lucena voltou contundido da seleção e não estará em campo em nenhum dos jogos. E o promissor lateral-esquerdo Arzamendia foi vendido para o Cádiz (ESp) e é coisa do passado no Cerro Porteño.

Além deles, o experiente zagueiro Patiño, que exerce importante função de liderança, estará suspenso no primeiro jogo por acúmulo de cartões amarelos. Mas estará presente no segundo jogo e é uma perigosa arma no jogo aéreo ofensivo nas bolas paradas. Anotado, Roger? Depois não diga que não avisei.

O ponto forte do time era exatamente o setor defensivo, a última linha de defesa e os volantes. Com os desfalques, o nível vai cair.

Os substitutos na zaga e lateral são jogadores jovens e com pouca experiência como titulares. Já no meio o substituto será o recém-contratado volante colombiano Rafael Carrascal, que chegou do América de Cali (COL). Fará sua estreia.

O desentrosamento deve fazer o goleiro brasileiro Jean (ex-jogador do São Paulo e do Atlético-GO) ter trabalho. O goleiro, aliás, é grande destaque do time e um dos melhores da competição até aqui.

E aí entra o que pode ser o caminho das pedras pro Flu: marcar pressão na saída de bola do Cerro.

A dificuldade para sair da pressão adversária, que já era uma vulnerabilidade, pode virar uma catástrofe com os desfalques.

Será que podemos acabar caindo pra cima com Lucca no lugar do Fred? É só ter coragem de soltar os cachorros pra cima mordendo os calcanhares deles, Roger. O caminho da vitória é ter coragem para fazer Caio, Biel, Yago e Lucca marcarem pressão no campo de ataque. Com Nenê colaborando como puder (sim, ele será titular).

Agora vamos ao setor ofensivo.

O Cerro joga com uma linha de 4 no meio, com 2 jogadores de lado. Do lado direito joga o jovem Giménez, voluntarioso, dedicado taticamente porém não muito técnico. Na esquerda joga nosso velho conhecido, e que não deixou saudades, Cláudio Aquino. O meia argentino é a reserva técnica do time. É o homem da bola parada, dos cruzamentos e dos perigosos chutes de fora da área. Mas é um jogador de pouca intensidade e que ajuda pouco na defesa.

No ataque, no esquema 4-4-1-1, joga na maioria das partidas a revelação da temporada Robert Morales, jogador de intensa movimentação e disparado o mais perigoso do time, e o centroavante Mauro Boselli (ele mesmo, ex-Corinthians).

A minha aposta é que Arce será conservador e escalará o meia argentino Carrizo no lugar de Boselli. Essa formação, com apenas 1 atacante de ofício, foi utilizada pontualmente em jogos mais difíceis. Como Boselli não vem fazendo uma grande temporada, inclusive não tendo marcado nenhum gol na Libertadores, algumas informações da imprensa paraguaia levantam a possibilidade dessa opção.

E pra terminar o papo será reto. Somos melhores que o Cerro, precisamos passar por eles e vamos passar.

Esse é o momento da nossa pesada camisa falar mais alto, é hora de irmos pra cima deles com confiança. A mística de Gum Guerreiro estará ao nosso lado e um dos nossos zagueiros será abençoado com gol, com ou sem cabeça enfaixada.

Tricolores a hora chegou. É pra viver momentos como esse que somos torcedores. Faltam 7 jogos.

Rumo à glória!!!!!!

Time base do Cerro: Jean, Espínola, Adorno, Duarte, Alan Rodríguez, Giménez, Villasanti, Carrascal, Aquino, Morales, Boselli (Carrizo).