Foto: Divulgação/FFC

Nadador do Fluminense, federado há três anos, o jovem Gabriel Felipe dos Santos Ferreira, de 15 anos, acusa um segurança do Fluminense de racismo. O caso aconteceu na última quinta-feira, informa o Jornal “Extra”. Logo após o treino, Gabriel pediu para continuar sozinho no clube com os amigos.

Sem a supervisão dos pais, ele e sua turma foram lanchar e voltaram para a piscina. Como a catraca para a identificação com impressão digital não estava funcionando, os sócios podiam seguir por uma roleta ao lado, que estava liberada. Segundo o jovem, por três vezes, o segurança o abordou com o pedido da carteirinha, apesar de estar acompanhado de outras crianças.

Na terceira vez em que foi abordado, Gabriel questionou o motivo pelo qual somente ele teria de mostrar o documento e ouviu um “abaixa a bola aí” do segurança, branco.



— As pessoas me olham de cima a baixo. Infelizmente eu finjo que não vejo, que é normal. Porque acontece com bastante frequência esse tipo de postura, inclusive no clube. Mas, desta vez foi muito grave, na frente de todos. Me senti constrangido — conta Gabriel, que foi perseguido pelo segurança.

Depois do ocorrido, Gabriel foi para o banheiro chorar e ligou para o pai. Felipe, seu pai, contou que o segurança justificou a abordagem porque achava que eles “estavam fumando maconha”.

— Agora estou muito melhor, mas na hora foi meio difícil. Fiquei chateado porque ele me abordou na frente de todo mundo. Fiquei mal, chorei. Tive raiva, quis ir para casa. Meus amigos e meu irmão, que é mais claro que eu e não foi abordado, (Pietro, de 13 anos) me apoiaram. Me acalmaram. Eram mais de 20 crianças – disse Gabriel.

De lá, a família foi para a delegacia, na 9ª Delegacia de Polícia, para registrar uma queixa crime, por racismo.

— Meu filho foi chorar no banheiro. Quando saiu, o segurança foi atrás dele, achando que ele se dirigia à Administração para fazer alguma reclamação. Quando Gabriel me ligou, disse que o segurança estava atrás dele no clube. Agora ele não quer mais nadar… Mas não quero que ele perca isso, essa vontade de ser atleta. Já estou em contato com o Flamengo. Tenho um filho, o João Gabriel, que é atleta de futebol (treina futebol de campo na Cabofriense e de salão no Botafogo), tem 13 anos, e não gostaria que ele perdesse esse sonho – disse o pai.

Por meio de uma nota, o Fluminense informou que abriu um procedimento interno para apurar os fatos administrativamente e tomar as medidas necessárias “mesmo após a autoridade policial, procurada pela família do adolescente, ter entendido não ter havido qualquer conduta do colaborador que pudesse caracterizar ilícito penal. Ainda assim, tudo será apurado”.

O clube informou que o segurança já foi afastado de suas atividades e assim permanecerá enquanto durar a apuração por parte do clube”.