Nobres tricolores,

depois de tantos jogos emocionantes, golaços e duelos táticos, voltaremos à realidade a partir desta quinta-feira. Vasco, às 20h, em São Januário. Osso duro. Rival que se recusa a perder para nós, jogando em seus domínios, motivado pela vitória sobre o Bahia, apesar da desclassificação, e também pela sua mais nova aquisição.

O clube preto e branco anunciou Maxi López, aquele grandalhão, boa pinta, com algum destaque na Itália. Jogou por grandes equipes do futebol mundial. Estava na Udinese (ITA) e chega como grande reforço do ano.

Tecnicamente não tenho certeza se fará grande diferença. Sabe fazer gol, escorar para quem vem de trás, mas já carrega o peso dos 34 anos e temporadas ruins recentemente. Porém, o Vasco, mais do que ser grande, pensou grande.

A contratação bombou nas redes sociais, a torcida cruzmaltina voltou a se motivar e o argentino, carismático, com vídeos na redes sociais exaltando a história da agremiação e curtindo até pagode, tem enorme potencial para ser ídolo. Mal chegou ao Brasil e foi direto para São Januário acompanhar o duelo contra o Bahia.

Por outro lado, o Fluminense está prestes a anunciar Everaldo. Aos 24 anos é “destaque” do São Bento na Série B do Brasileiro com quatro gols em 43 partidas desde que estreou pelo time do interior paulista. Soma apenas uma assistência mas, segundo informações, tem bons dados no número de passes para finalizações. Chega indicado pelo scout tricolor, comandado por Ricardo Corrêa.

Números não me pegam. Eles enganam. Para o bem ou para o mal. No vídeo, acompanhamos Neymaranhão e Rhayner fazendo chover. Everaldo é atacante de lado, então é compreensível que faça menos gols do que um centroavante. Notem, porém, que o objetivo do post é, sem delongas, comparar a ambição de dois clubes grandes que hoje dividem o mesmo espaço no mercado.

O rival vive crise política e financeira, tem um presidente contestado, mas traz um potencial ídolo e ganha a empatia da torcida. O outro, também com graves problemas internos e um presidente com rejeição maior do que o Temer, insiste em mais uma aposta desconhecida e afasta seu torcedor.

Maxi López está no fim da carreira e, talvez, não consiga ser o jogador que foi um dia. Esportivamente, o risco talvez seja o mesmo de Everaldo no Fluminense, que, dez anos mais jovem, teoricamente, tem mais chances de mostrar que merece atuar num gigante nacional.

Mas quem venderá camisa é o hermano. Quem levará o torcedor para o estádio é o camarada que jogou por clubes como River Plate (ARG), Barcelona (ESP) e Milan (ITA). Quem nutrirá esperança num torcedor sofrido, que só vê seu time fazer figuração nos campeonatos nacionais, é Maxi López.

Everaldo um dia poderá fazer com que a loja oficial do Flu nas Laranjeiras fique entupida, leve a galera em peso para o Maracanã e, quem sabe, alcance o status de ídolo. Hoje, chega tão credenciado quanto o limitado João Carlos.

O combate à crise, a meu ver, tem de ocorrer com coragem, audácia, ousadia. A conta do Atlético-MG, segundo os Flusócios, hora uma chega. Mas continuam investindo. Trouxeram dois bons jogadores: Chará, ex-Junior Barranquilla, e David Terans, indicado por este blog no início do ano. O Cruzeiro fechou com Barcos e o apresentou à torcida no Mineirão com mais de 40 mil torcedores um dia após o final da Copa. Nem vou citar o case de sucesso de Cristiano Ronaldo, porque é algo muito além da nossa realidade.

Já o Fluminense…Bem, o Fluminense é um sobrevivente do futebol brasileiro. Entende que a redução constante de investimento é o único caminho para o reequilíbrio financeiro. E o curioso é que mesmo com uma das menores folhas da Série A, continua atrasando salário.

É incapaz de arrojar, de realizar ações que reaproxime o torcedor da instituição e a despromoção é, naturalmente, o caminho para um clube que vem de duas campanhas consecutivas no Brasileiro em 13º e a última em 14º.

O elenco atual não tem ídolos. O tricolor paga (caro) para ver seu time jogar no Maracanã apenas com expectativa de vitória magra, sofrida. Não há diversão em acompanhar o Fluminense in loco. “Praticar bom futebol” está completamente fora de cogitação pelo Flu dessa gente. A torcida, hoje, vibra com migalhas, tal qual o volante pára-brisas quando consegue dar um carrinho para a lateral, impedindo a progressão do adversário no campo de ataque.

Digão, Luciano, Júnior Dutra e Everaldo. É dessa forma que o Fluminense irá angariar novos torcedores? É dessa maneira  que o Fluminense impedirá o prejuízo ordinário no Maracanã? São com esses jogadores que o Fluminense mostrará para o mercado a sua força? Através desses é que o Flu obterá o respeito dos adversários e os resultados em campo?

A distância entre Vasco e Fluminense na tabela, hoje, é de um ponto. O torcedor vascaíno, com Maxi López, volta a sonhar com uma sexta colocação. O do Flu, com Everaldo, segue com a calculadora em mãos.

– 12 atacantes e dois meias. Esse é o “fazer futebol diferente” do Abad.

– Gum e Digão nove anos depois. Eu falo ou vocês falam?

– Aposta por aposta, eu iria no Dodô, do Fortaleza. Meio-campista interessante.

– Douglas é superestimado, mas tem mercado.

– O Flu, porém, segue preocupado em vender o almoço para comprar a janta.

 

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